terça-feira, 27 de abril de 2010

Voltando pra casa, filho!

Estou voltando pra casa depois de quase dez dias longe. Parece que faz muito mais tempo, desde a hora em que me despedi olhando você febril apagado no berço. Saí com o coração apertado, mas certo que sua mãe encararia a barra. Você está numa fase linda, porém, frágil. Normalmente dizemos que pegamos uma doença. No seu caso, elas é que pegam você. E tome gripe, virose, diarréia, vômito, febre…Ah, febre! Um exercício de paciência para nós, pais, que ficamos doidos para que sua temperatura baixe. E, como se tudo isso não bastasse, a conseqüência natural de tantas doenças é uma falta de apetite. Logo você, que sempre come tão bem e de tudo quanto é comida, acaba fraco e sem vontade de botar nada na boca. Cada refeição vira uma aventura. Ainda assim, a gente se segura por dentro e respeita o seu apetite. Afinal, nós também ficamos doentes vez por outra e sabemos como é natural perder a fome. Nada pior que comer forçado. Apesar disso tudo, o lado bom é que você vai completando um estranho álbum de figurinhas. Cada vez que você adoece, também se fortalece e se previne. Assim será por alguns anos ainda. Saiba que estamos do seu lado, que também sofremos com seu mal estar. Sua mãe, nem se fala. Chega a ficar com medo de você pegar um vírus na creche, tira você de perto de qualquer criança com o nariz escorrendo, chega a ser engraçado.
Pra contrabalançar, você está aprendendo a falar rápido, meu lindo. Cada dia aprende uma coleção de palavras. Cada hora nos surpreende repetindo alguma coisa que falamos. Explodimos em gargalhadas, avós se derretem, tias babam, ninguém resiste. Seu vocabulário certamente estará maior quando finalmente eu chegar em casa. Eu estou louco para ter ver e te ouvir. Minha vida é viajar por um país imenso e lindo, que quero ter a chance de mostrar, pelo menos um pedaço dele. Pessoas que nunca te viram me perguntam sem parar sobre você, como está, o que faz. Cada vez que canto uma canção no palco, é impossível não pensar em você. Na platéia, vejo mulheres grávidas, crianças de colo, algumas mais velhas, todas ali a me lembrar que eu também tenho uma. E me emociono e canto mais alto pra que possa musicar seus sonhos. Eu não escondo meu orgulho de ser pai de uma criança tão linda, tão esperta, e principalmente tão feliz. Suas fotos viajam comigo e me confortam na hora de dormir em um ônibus atravessando a noite ou num quarto escuro. Sua mãe é paciente, brincalhona, faz a maior festa contigo. Aliás, você tem dois pais muito palhaços que não param de fazer coisas para você rir. Isto porque um sorriso em seu rosto não tem como ser medido. Faz a casa brilhar, acende nossa alma, renova nossas forças, desperta-nos com alegria, conforta nossos dias difíceis, alimenta nossa paz, nos comprova que você é o presente mais lindo que a vida nos deu.

Já, já, nos veremos.

Saudade de você, da sua mãe, de nossa família. Beijo de seu papai.

Um comentário:

Fernanda disse...

Lindo! Você é um pai muito especial para o Gabriel. Ele sabe disso e te ama demais.