sábado, 21 de janeiro de 2012

Os priminhos

Estive nesta semana na Rede Globo e encontrei com Carol, amiga da Fernanda e que trabalhou com ela até o último dia. Foi complicado chegar na portaria 3 do Projac, onde tantas vezes eu a deixei para trabalhar ou pega-la com o Gabriel. No entanto, Carol me trouxe um presente especial: um Cd com fotos que Fernanda havia guardado no computador que eu nunca havia visto antes. Em especial, as que ela tirou de Gabriel junto com seu priminho Luquinha, que também faleceu no acidente. Eles estão bem, não duvido. Ainda mais depois de ver como eles brincavam bem.

Inesquecíveis





Obrigado pelo presente, Carol!

O novo ano

Um ano pra esquecer ou ser eternamente lembrado? Ainda não sei dizer. Um ano pela metade. Depois do dia 17 de Junho, metade do ano se foi, metade de mim também. Um dia apenas que mudou a história de tanta gente. As pessoas me perguntam como eu vivi depois disso. O amor de minha família, meus amigos, minha namorada e agora mulher, o carinho dos fãs, todos geraram um escudo de proteção, me ampararam a todo momento. Acima de tudo, não perdi a fé. Busquei entender e aceitar. Dói. E muito.
Acontece que a vida me deu um presente lindo por dois anos e dez meses. Deus me deu a chance de viver intensamente, apaixonadamente do lado de meu filho. Um presente tão lindo que ele nasceu no dia dos pais! Num domingo em que miraculosamente estava sem show. Foi o dia dos pais mais lindo e marcante de minha vida!
Tive problemas, noites mal dormidas, estresses, nem tudo foi perfeito, me separei, mas Gabriel foi o norte de minha bússola. Inconscientemente fiz loucuras por ele. Loucuras estas que, tal como no discurso de Steve Jobs, hoje são pontos que ligados formam uma linda estrada que me fez chegar aqui. Como se, de alguma forma, eu também soubesse do que iria acontecer. E assim vivi tudo que queria ao seu lado. Hoje, sinto sua presença em minha alma, mas a saudade do futuro que deixamos de ter juntos me assalta. Graças a Deus, vivi este momento todo sem precisar tomar remédios - não quis, embora não tenha teimado quando o sofrimento foi maior.
Disse adeus a 2011 em um show na Barra da Tijuca, onde ele viveu feliz, e diante do mar que lhe levou em Porto Seguro. O show foi emoção do começo ao fim. A cada música, um filme, uma lembrança do que vivemos. Um adeus, um até breve.
Saber que ele não está mais aqui é importante para mim. Preciso sempre me lembrar disso. Aquele menino agora mora em meu peito e no meu pensamento.
Adeus, 2011. Dizem que 2012 é o fim do mundo. Não. Para mim, é o ano do renascimento.

Nossa árvore de Natal

Poucos dias após a morte de Gabriel, tocam a campainha. Era do Hortifruti. Eu tinha feito umas fotos com meu filho para uma matéria que sairia naquele mês na revista deles. Com sensibilidade, tiraram-na da revista em respeito ao meu luto. Me mandaram todas as fotos que tiramos juntos: um registro lindo e maravilhoso daquela manhã antes de ir pra creche. E me entregaram um vaso com lindas orquídeas brancas. As flores ficaram ali, perfumando o ambiente por muitos dias até se reduzir a um graveto. No entanto, continuamos a regá-la. E minha mãe pediu que Gabriel estivesse presente no Natal de alguma forma, pediu muito que a planta florisse novamente.
Em novembro, os primeiros botões apareceram, perto de meu aniversário. E seis meses depois de sua morte, seis flores se abriram. Natal quer dizer nascimento. E esta foi a nossa árvore. Linda, viva e emocionante.
Não foi um natal fácil, mas as orquídeas nos confortaram muito.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Renascimento

Quando passamos por momentos marcantes em nossas vidas, deixamos de viver tudo como um conto de fadas e temos que tomar decisões que mudem nossa conduta.É um aprendizado duro mas agora só me resta entender e aceitar

Esta é a história de um dos vários sobreviventes do acidente da JetBlue que escaparam graças a um pouso fantástico do piloto.

Rick Elias ficou face a face com a morte. Refletiu e recomeçou sua vida de outro modo

Eu também tive que ficar face a face com a morte. Não a minha, mas foi como se fosse!

E, desde então, tento renascer. E como todo nascimento, este é um ato de esforço, luta, superação. Por isso, o choro!

De certo modo, parte de mim se foi com o Gabriel. O que estou lentamente descobrindo é que posso renascer
com mais empenho, com mais dedicação, com mais pureza, com mais vontade de viver e praticar o bem.

Se não viram ainda, percam 5 minutos para ver o video!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Dia 17 (cinco meses depois)

dia 17

Doze vezes no ano;eu vou parar o que faço
e pensar que mais um mês passou.
e quando a data chega,eu envelheço uma década
eu me lembro quantos planos fiz
quantos sonhos tive
quão pouco os vivi
quanto mais viverei
longe de ti

E vou de novo pensar no que estava fazendo
onde estava e em que momento tudo mudou
me perguntar o que fiz pra te perder
pra você me deixar com esta imensa saudade
com este amor lançado agora no meio do espaço

aos poucos aprendo
que não devo mais jogar o amor
para fora de mim
tentando te buscar em vão
você não está mais por aí
é justamente o que me enche de vazio

pelo contrário,
você veio morar no meu peito
fez do meu corpo seu leito
e cada vez que procuro por ti lá fora
acaba faltando amor dentro de mim
amor que se perde
e não sabe o caminho de casa
chora no meio da praça
a qualquer hora do dia
e da vida não acha graça

é um aprendizado sofrido
entender que agora eu tenho um inquilino querido
que mora dentro de mim
que quer que eu sinta de maneira diferente a sua presença em todos os lugares
em todos os momentos
em todas as conquistas
de todas as maneiras

Pois onde eu estiver
ele estará comigo
eu sou seu abrigo
e tudo que sinto
ele sentirá
a minha alegria é a dele
a minha dor também

Dia 17 não é pra chorar
é pra fechar os olhos, sorrir
lembrar
que ele está mais perto que eu penso
mais forte e intenso
que qualquer amor que possa imaginar

que venham outros dias 17
pra vida me lembrar
o amor que mora em meu peito
nunca vai parar de aumentar.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A saudade é o museu do amor

Dia de Finados. Não vou ao cemitério. Como minha mãe disse, "a conversa não é com o subsolo, ele está no andar de cima". Meu papo com ele não é hoje apenas. É todo dia, toda hora. Peço conselhos e conto o que se passa comigo. Peço que todos fiquem bem onde estão e não se preocupem com a gente.
A força, a gente acha, não há escolha, tem que achar, seguir em frente, não olhar muito pra trás. Na verdade, eles estão lá na nossa frente, bem longe, a nos esperar, dizendo "não desistam, nós te amamos".
Só que é inevitável que a gente olhe um pouco no retrovisor e sinta esta sensação de termos esquecido alguma coisa. Vamos envelhecendo e os retratos continuam mostrando um menino. A vida dá mostras de que segue seu curso sem se preocupar. Os amigos consolam, os fãs oram, os parentes nos amparam, mas não é fácil segurar as lágrimas e decidi que é isto mesmo, não tenho que prender nada. Chorar até faz bem - sofrer é que não faz. A saudade não o trará de volta, não aliviará a dor, mas esvazia este vazio que me consome, que serve como um uma descarga concentrada de EU TE AMO. Não o "eu te amo" que deixei de dizer - estes foram muitos, graças a Deus - mas todos os que não pude mais falar e ouvir.


Obrigado

Obrigado pelo leite derramado
Obrigado por cada sorriso
Obrigado por cada olhar trocado
Obrigado por cada lembrança

As Melhores fotografias
Estão nas minhas memorias
Obrigado por todas as palavras que vc aprendeu
Pela chance de ouvir você me chamar de pai

Te agradeço cada beijo e abraço
Obrigado pela benção de ter tido você ao meu lado
Menino lindo
Menimo levado
Meu capuccino
Meu pacotinho
Meu melhor presente
Meu quentinho

Obrigado pelas gargalhadas
Obrigado pelas horas sem sono
Obrigado por cada dia que você viveu comigo
Por cada banho tomado
Por cada dia na piscina
Pelos dias na praia

Obrigado por cada canção cantada
Por cada dengo, travessura e pirraça,
Obrigado por cada estrela que vc acende agora

Desculpe-me se choro
Nem todos os dias sou forte
Só o amor salva, eu sei
Mas sinto as vezes que nao tenho mais tanto tempo
Sinto que perdi mais que três anos
Sinto como se tivessem me arrancado a alegria
E a vida agora é apenas uma distração constante para
Me afastar da tristeza. O jeito é vivê-la.

A saudade é o museu do amor

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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A Vida Continua

Meu filho,

Demorei muito para te escrever novamente aqui. Não é fácil imaginar que o propósito deste blog - que era permitir que um dia você visse como você foi esperado e amado - se perdesse em meio a um acidente. No entanto, estou aqui te escrevendo novamente uma carta. Tal como as outras que você não leu, esta é para registrar meu amor por você. Só que, desta vez, eu acredito que você possa entender e até mesmo ler cada linha que coloco aqui. Te imagino sendo capaz de ler, entender, te vejo como um menino esperto e igualmente sapeca, malandro e carinhoso.

Quero te dizer que estou bem. A dor está sendo transformada em solidariedade, carinho, correntes do bem. Tenho tido a ajuda de muita gente que te amou sem nunca ter te visto, às vezes sem nunca ter tido contato comigo também. Mas com orações e muita paz, eu vou me recompondo.

Sonhei contigo, acredita? Te pegava no colo e pedia para tirarem uma foto, mas você não aparecia nela. Não importa. Enquanto você esteve no meu colo o sonho pareceu-me muito real.

Você está sempre comigo, a vida continua e se fiquei aqui foi para continuar minha missão. Farei-a até o final, cantando, te dedicando canções, lançando um beijo pro céu sempre que sair do palco, para que você se orgulhe sempre do pai que tem.

Como sempre falei para você. Gabriel é o melhor amigo do papai. E sempre será.
Obrigado por toda força que você me deu para seguir em frente. Não fraquejarei.
E se as lágrimas correrem, serão de emoção. Tristeza nunca, ainda que você faça uma falta danada.

Pra cada lugar que eu vou, eu deixo um brinquedo seu e peço para as crianças multiplicarem. Com isso, uma enorme corrente do bem tem varrido o país. Tem brinquedinho seu no interior do Amazonas, Pernambuco, Minas, Rio, até na Dinamarca! Um barato!

Estou morto de sono e viajo amanhã cedo. Bella te manda um beijinho doce. Vó Ana e Vó Mara também. Você tem uma linda família aqui que te ama. Um dia, todos nós nos encontraremos. Até lá, te lembrarei sempre: eu te amo!